Monster Cookie

abril 21, 2015

Skins não é sobre sexo e drogas!


Se você apenas leu ou ouviu falar de Skins, talvez seja difícil entender seu apelo. O material de divulgação tende a passar a impressão de que Skins é só sexo, um punhado de pílulas, um bom apuro musical e uma predileção em destruir o bar local. De fato, a verdade não está muito distante disso. Skins pegou a noção moderna de “drama teen” e rumou em direção a realidade inglesa. Não é atoa que os fãs estavam ansiosos para o fim da temporada.

Pequenos spoilers da 4ª temporada abaixo!

Mas um programa pode depender de vandalismo casual e uso de drogas até certo ponto e é aí que entra o sexo. Sexo bêbado, lésbico, sem proteção, sexo em que o personagem grita, repetitivamente, “segura minhas bolas!” – Skins tem tudo isso e é considerado inovador por sua representação explícita da sexualidade na adolescência. Mas as pessoas que focam nessa “clareza sexual” perdem o que a série oferece de melhor – Skins também é um dos poucos programas que retratam adolescentes exercitando sua sexualidade, sem críticas ou julgamento.

Ao contrário de outros dramas teen, Skins não parece ter produtores e escritores que chegam ao limite, ansiosos para mostrar um ponto importante sobre “Problemas de Adolescentes”. Compare, por exemplo, Skins com Glee – outra série teen adorada com um senso de humor negro bem similar. No episódio quatro, Kurt sai do armário para seu pai, que diz amar o filho de qualquer forma. Embora esse tipo de cena (com um “final” feliz) seja raridade na tv, não soa como um sermão, dizendo: “Não se preocupem, homossexuais inexperientes do mundo!”, parece dizer “Use, você também, calças McQueen e decore a dança de Single Ladies e seus pais irão te amar de qualquer forma.”

Felizmente, esse é o caso algumas vezes. Mas na maior parte das vezes, a sexualidade na adolescência não é resolvida com uma rotina de dança ou pelo caloroso abraço de um pai amoroso. Os adolescentes de Skins lutam com sua sexualidade, cometendo grandes erros ao longo do caminho – e num mundo onde pais e responsáveis são caricaturas ridículas da autoridade dos adultos ou totalmente ausentes, os próprios adolescentes são deixados para resolver suas próprias confusões. O relacionamento entre Emily e Naomi (conhecidas pelos fãs da série como Naomily) fornece um exemplo disso. Uma das melhores cenas da temporada foi um em que a Emily descobre que a Naomi a traiu. Chorando, Naomi tenta se explicar: “Eu estava com medo,” “Você sempre está com medo,” retruca Emily.

É um retorno sutil, mas diz muito mais sobre os personagens do que qualquer cena de sexo com um indie rock de fundo. As melhores cenas de Skins não são sobre sexo, são sobre os personagens tentando entender o que fazer em seguida. Retire a trama bizarra e as cenas de sexo desenfreado, e que resta é um retrato surpreendentemente preciso da montanha-russa emocional dos adolescentes: o medo de se apaixonar, a atitude de despreocupação e dureza que se confunde por independência e força, e da postura agressiva que grita “não encoste em mim, eu não preciso de você”, mas sussurra “se você me deixar eu vou morrer”. Enfim, é uma série sobre como é ser adolescente.

Texto original do The Guardian”.

abril 14, 2015

Resenha: "Palo Alto"

“You want to cry and smile, but instead you just stare and you can’t do anything.”Palo Alto
Olá, cookies! E... Olá, meu jovem confuso, interessante e cheio de questões existenciais.  “Palo Alto” pode não ser uma obra extraordinária, mas não deixa de ser mais uma produção interessante do ‘subgênero’ dos dramas juvenis.

Adaptado de uma ‘coletânia’ de contos que foram escritos pelo ator James Franco baseados em sua própria juventude na sua terra natal (‘Palo Alto’ – Califórnia), a trama acompanha a vida de April (Emma Roberts), uma adolescente ainda virgem e sensível que se vê divida entre os ‘flertes’ de seu professor do time de futebol (o próprio James Franco, “Spring Breakers”) e seu colega Teddy (Jack Kilmer, filho do grande Val Kilmer 
que também faz uma participação no filme). 
“I guess in some people’s lives, no one tells you what to be, and so you be nothing.” — Palo Alto
Ainda temos outros personagens interessantes na história como Fred (Nat Wolff, “A Culpa é das Estrelas”) que é o típico adolescente inconsequente até a última ponta que acaba levando seus amigos, em principal Teddy, para o “mau caminho”, ou ainda a jovem Emily (Zoe Levin, “O Verão da Minha Vida”) que se oferece sexualmente para todos em busca de encontrar algum afeto. Anseios, desejos, vazio, falta de rumo ou orientação na vida, delitos e transgressões, tem de tudo um pouco dividido entre os personagens de “Palo Alto”, uma obra que possui algumas atuações inspiradas (outras nem tanto), sendo a principal delas a da sobrinha da Julia, Emma Roberts, que faz aqui uma das melhores atuações da sua carreira.
“I wish I didn’t care about anything. But I do care. I care about everything too much.” — Palo Alto
É uma vibe Virgens Suicídas misturado com Juno. Basicamente isso que eu posso dizer. O filme não é ruim, se você tiver gostado dos dois filmes que acabei de citar, você vai gostar de “Palo Alto”.


Não traz nada de muito novo e possui um desfecho que pode entortar o nariz daqueles que esperam por ciclos/arcos fechados, mesmo assim é uma obra bem interessante e muito bem dirigida por uma cineasta que, desde já, merece a nossa atenção.


“He was so. So dirty, and just moving in front of me, and cute. I was in love with him, especially because he was talking to me.” — Palo Alto
O filme está na minha lista dos “10 Melhores Filmes de 2014”, talvez porque eu tenha uma queda por filmes de adolescentes fazendo merda. O que, basicamente, é isto o que é retratado filme, e mais uma mistura de tédio. A história vai se desenrolando a partir daí e ela (a April) é repleta daquele tédio adolescente maravilhoso, aquele jeitinho blasé de deus-me-leva-que-eu-não-ligo. O IMDb deu nota 6,5 pro filme, eu daria um 7,5. Até rolaria um 8 pelo James Franco e o Nat Wolff sendo lindos, mas isso sou eu, né.
  1. No quarto da jovem interpretada pela Emma Roberts existe um poster do filme “As Virgens Suicídas” que foi dirigido pela tia da Gia, Sofia Coppola.
  2. Retrata o sistema prisional educacional e também a juventude americana, mas não deixa de servir para outros países e culturas já que alguns temas são universais.
Clique aqui para ver o trailer.
Referências: Pêssega d'Oro,  Porra, man!