Se
você apenas leu ou ouviu falar de Skins, talvez seja difícil entender seu
apelo. O material de divulgação tende a passar a impressão de que Skins é só
sexo, um punhado de pílulas, um bom apuro musical e uma predileção em destruir
o bar local. De fato, a verdade não está muito distante disso. Skins pegou a
noção moderna de “drama teen” e rumou em direção a realidade inglesa. Não é
atoa que os fãs estavam ansiosos para o fim da temporada.
Pequenos spoilers da 4ª temporada abaixo!
Mas um programa pode
depender de vandalismo casual e uso de drogas até certo ponto e é aí que entra
o sexo. Sexo bêbado, lésbico, sem proteção, sexo em que o personagem grita,
repetitivamente, “segura minhas bolas!” – Skins tem tudo isso e é considerado
inovador por sua representação explícita da sexualidade na adolescência. Mas as
pessoas que focam nessa “clareza sexual” perdem o que a série oferece de melhor
– Skins também é um dos poucos programas que retratam adolescentes exercitando
sua sexualidade, sem críticas ou julgamento.
Ao contrário de outros dramas teen, Skins não parece ter
produtores e escritores que chegam ao limite, ansiosos para mostrar um ponto
importante sobre “Problemas de Adolescentes”. Compare, por exemplo, Skins com
Glee – outra série teen adorada com um senso de humor negro bem similar. No
episódio quatro, Kurt sai do armário para seu pai, que diz amar o filho de
qualquer forma. Embora esse tipo de cena (com um “final” feliz) seja raridade
na tv, não soa como um sermão, dizendo: “Não se preocupem, homossexuais
inexperientes do mundo!”, parece dizer “Use, você também, calças McQueen e
decore a dança de ‘Single Ladies’ e seus pais irão te amar de qualquer forma.”
Felizmente, esse é o caso algumas vezes. Mas na maior parte das
vezes, a sexualidade na adolescência não é resolvida com uma rotina de dança ou
pelo caloroso abraço de um pai amoroso. Os adolescentes de Skins lutam com sua
sexualidade, cometendo grandes erros ao longo do caminho – e num mundo onde
pais e responsáveis são caricaturas ridículas da autoridade dos adultos ou
totalmente ausentes, os próprios adolescentes são deixados para resolver suas
próprias confusões. O relacionamento entre Emily e Naomi (conhecidas pelos fãs
da série como Naomily) fornece um exemplo disso. Uma das melhores cenas da
temporada foi um em que a Emily descobre que a Naomi a traiu. Chorando, Naomi
tenta se explicar: “Eu estava com medo,” “Você sempre está com medo,” retruca
Emily.
É um retorno sutil, mas diz muito mais sobre os personagens do
que qualquer cena de sexo com um indie rock de fundo. As melhores cenas de
Skins não são sobre sexo, são sobre os personagens tentando entender o que
fazer em seguida. Retire a trama bizarra e as cenas de sexo desenfreado, e que
resta é um retrato surpreendentemente preciso da montanha-russa emocional dos
adolescentes: o medo de se apaixonar, a atitude de despreocupação e dureza que
se confunde por independência e força, e da postura agressiva que grita “não
encoste em mim, eu não preciso de você”, mas sussurra “se você me deixar eu vou
morrer”. Enfim, é uma série sobre como é ser adolescente.
Texto original do “The Guardian”.




